Radialistas: em 2022 sem ficar olhando o bonde passar

Se tem um ano que vai se somar a outro é 2021. Os anos de 2020 e 2021 estão de mãos dadas, face a tragédia da Pandemia, de um governo contra os trabalhadores (as) e de patrões que não estão nem aí com quem produz a riqueza que eles embolsam. 

O que está acontecendo no Brasil, na verdade, é o amortecimento do interesse em defender o que foi conquistado. E não é um fenômeno, apenas de uma categoria. A classe trabalhadora está anestesiada. E isso precisa mudar.  Os ataques vêm pela Pandemia, pela diminuição do poder de compra dos salários, da precarização do emprego, da falta dele. Apesar de tudo isso, neste ano trágico, muitos trabalhadores se fizeram em movimento como iremos relembrar nesse boletim.

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A luta dos Radialistas em 2021

Rede TV

Em agosto desse ano, os radialistas da Rede TV se indignaram por trabalharem numa emissora que optou por não dar nenhum reajuste salarial e entraram em greve. Na verdade a direção da empresa, numa tentativa de evitar a paralização apresentou a proposta, de última hora, de reajuste que a categoria rejeitou por achar insuficiente. Dentre as grandes emissoras Rede TV é a que mais paga mal aos seus trabalhadores.

Situação:

Julgamento do dissídio da Rede TV sofreu adiamento devido ao relator do processo estar doente e a data ficou em aberto e sem previsão para julgar.

TV Mundial

Com histórico de atrasos, reuniões e acordos não cumpridos, a TV Mundial se caracteriza por não se levar a sério. Mesmo naquilo que assina em documento. Por conta disso a TV Mundial entrou em greve, juntamente com os trabalhadores (as) da Igreja, envolvendo assim três entidades sindicais representativas desses (as) trabalhadores (as), tanto da igreja como da TV.

EBC

No final do mês de novembro os trabalhadores (as) da Empresa Brasil de Comunicação, um pool de empresas estatais (rádios, TV e agência de notícias), decidiram entrar em greve por tempo indeterminado. A decisão foi tomada em assembleia realizada numa terça feira (23). Pesou na decisão de entrar em greve devido a postura da empresa, que vem demonstrando pouca seriedade nas negociações emplacadas desde 2020. Além disso, perdas salariais e de direitos, que já estão em acordos coletivos de trabalho e que representam conquistas históricas da categoria, estão na pauta de retirada da empresa. Com isso tudo não restou aos trabalhadores (as) senão, a decisão de paralização.

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Negociações, assembleias virtuais e acordos coletivos de trabalho (ACT)

Em ano atípico, devido a Pandemia, negociações e plenárias virtuais foram constantes para efetivação de ACTs entre empresas de Rádio e TV e o Sindicato dos Radialistas. Com isso, os trabalhadores (as) das empresas que assinaram acordo coletivo de trabalho tiveram garantido abonos e reajustes salariais e os benefícios, que constam a Convenção Coletiva da Categoria e que o sindicato dos patrões não querem assinar.

Acordos Coletivos assinados

Com a intransigência do sindicato patronal, grande parte das empresas apostam no quanto pior, melhor. Para os trabalhadores (as), lógico. Mas é uma lógica furada, pois só tem a ganhar as empresas que mantém um ambiente de trabalho em que os trabalhadores (as) se consideram valorizados (as). Tratados de forma mais justa. Por isso diversas emissoras providenciaram a assinatura de acordos coletivos de trabalho, diretamente com o Sindicato dos Radialistas. Grupos religiosos de comunicação como Rádio Difusora de Aparecida, Grupo Novo Tempo, Agência Presbiteriana de Evangelização – APECOM, Fundação Logos e Igreja Mundial efetivaram acordos com o Sindicato dos Radialistas. Emissoras comerciais, também como a Rádio Transamérica, Sistema Tribuna de Santos e Grupo MIX. Os acordos são, no mínimo, para pagamento do PPR. Uma bonificação aos trabalhadores chamado de Programa de Participação nos Resultados.

Aumento Real

Dentre as empresas que assinaram acordo coletivo a Agência Presbiteriana de Evangelização – APECOM concedeu aumento de 2% sobre os salários reajustados. Um aumento real de salário, num mar de falta de interesse das empresas em reajustar os salários dos radialistas.

Sindicalização

O Sindicato dos Radialistas permanece em sindicalização permanente. O radialista que tiver interesse em ser sindicalizado pode acessar o site do sindicato (www.radialistasp.org.br) e, através de banner de sindicalização, no site, preencher a ficha de sócio do Sindicato.  A contribuição financeira é de 1,5% do salário base do trabalhador, excluindo-se qualquer adicional que vier sobre o salário. Além de manter a estrutura da entidade, como prédio, viaturas, salário dos trabalhadores (as), a luta política também é importante e é a razão da existência do Sindicato como um instrumento de defesa e de luta para conquista de benefícios. Manter seu sindicato livre e independente de patrões e de governos é o primeiro passo para garantir os interesses dos trabalhadores (as) acima de qualquer tentativa de cooptação do Sindicato seja de patrões ou de pelegos.

Defender nossos direitos

Os ataques do governo, dos patrões e de seus representantes no congresso só estão sendo possíveis devido a passividade com que os radialistas tem encarado esse problema. É preciso ter consciência de que a cada perda de direitos, homens, mulheres e familiares, que lutaram no passado, se despreza sua história e seu legado que hoje podemos usufruir. Devemos pensar sempre de forma coletiva, com compromisso de classe, com as futuras gerações.

Radialista, defenda seus direitos, junto com seu Sindicato.

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O ano de 2021 termina e não irá deixar saudades

É fato que a Pandemia veio para mudar a vida de muita gente. Mais de 600 mil pessoas morreram devido não apenas ao coronavírus, mas como o governo Bolsonaro lidou com a Pandemia. Do “é uma gripezinha” ao “e daí”, o presidente eleito parecia se comportar como aquele deputado sem responsabilidade que durante quase trinta anos sobrevivia nas sombras do Congresso. Mas a tragédia não aconteceu apenas com quem partiu, mas com quem ficou, também. Com desemprego em alta, preços nas alturas, o desmonte de políticas públicas, apresenta aos trabalhadores um cenário de terror, que parece não ter saída, mas tem. Partidos de esquerda, movimentos sociais e sindicatos gritam aos quatro ventos que basta olhar pra trás e entender como os trabalhadores (as) avançaram da condição de servidão para assalariados (as). Os trabalhadores (as) avançaram em sua organização. Bastou estarem em movimento que a consciência dessa situação contaminou uma classe. E essa contaminação, que chamamos de consciência de classe, é o que lutamos para que os radialistas tenham em 2022.

Feliz ano novo, com consciência de classe, para todos os radialistas!

Recesso final de ano no Sindicato

A sede do Sindicato dos Radialistas, em São Paulo funciona até quarta- feira (22) e retoma seu funcionamento na primeira segunda-feira (03) do ano de 2022. Ou seja, o recesso começa dia 23/12/2021 e termina no dia 02/01/2022.

Expediente: Antena Ligada é uma publicação de responsabilidade da diretoria colegiada do Sindicato dos Radialistas no estado de São Paulo, situado na rua Conselheiro Ramalho nº. 992, no bairro Bela Vista, na cidade de São Paulo – SP. CEP 01325 000 – Fone 11 3145 9999 – Dezembro 2021  www.radialistasp.org.br  Tiragem: 3.000  –   Jornalista responsável e diagramação: Ronaldo Verneck Gonçalves MTB 84820-SP

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